O facto de existir um seguro de saúde cujo objectivo e designação é prevenção da doença oncológica, parece-me no mínimo mórbido. É verdade que o senso comum diz que mais vale prevenir que remediar, no entanto para mim, subscrever algo deste género é como estar sentado à espera que algo de mau aconteça. Chamem-lhe lei da atracção. Chamem-lhe o que quiserem. A mim causa-me confusão.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Um mês de ausência e uma conclusão
Só me apetece escrever quando me sinto triste ou chateada. Ou
triste.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A casa
Ela entra na casa. Ouve vozes, ele já lá está acompanhado pelos outros. São mais uns estranhos que passam por ali, invadem sem pudores a sua casa, ou melhor, aquela que já foi emocionalmente a sua casa. Hoje, não passa de um espaço vazio, nu, sem calor, sem risadas, sem felicidade, sem qualquer alusão a quem lá viveu. Está vazia… completamente desprovida de tudo. Uma porta partida e uns pregos na parede são a única prova de que alguém lá viveu. Os outros conversam, falam de preços… vão ficar com ela. Ela olha para ele. Ele parece contente e sobretudo aliviado, há uma dívida no banco e isto já se arrasta há mais de um ano. Parece que finalmente vai resolver-se. Embora esta decisão já tenha sido tomada há muito tempo, há alguma tristeza nos olhos dela agora que a decisão tomou um carácter definitivo. Quebra-se assim um laço, o último laço que os unia. É o derradeiro adeus. E aquele espaço que presenciou a felicidade, a tristeza, o choro e o riso, e que se tornou na casa deles, vai ser palco de outras vidas, outras emoções… vai-se tornar na casa de outros.
Ela sai e olha para trás. Olha para a casa uma última vez, como em jeito de despedida, e vai-se embora.
domingo, 26 de setembro de 2010
As melhores frases que disse hoje
“Eu não estou a perguntar-te o que achas. Estou a dizer-te que vou fazê-lo.”
Foi dito sem inseguranças e sem qualquer tipo de rancor. Não menosprezo a opinião dos outros, pelo contrário, outras perspectivas podem ser bastante enriquecedoras e construtivas, mas há momentos em que um grito fica preso na garganta e torna-se urgente dizer: Basta!
Foi dito sem inseguranças e sem qualquer tipo de rancor. Não menosprezo a opinião dos outros, pelo contrário, outras perspectivas podem ser bastante enriquecedoras e construtivas, mas há momentos em que um grito fica preso na garganta e torna-se urgente dizer: Basta!
Esta sou eu, quer gostes quer não. A manipulação terminou.
A vida às vezes pode ser um teatro, mas recuso-me ser um fantoche.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Liberta
Mais do que nunca quero libertar-me deste fardo que carrego, quero ser capaz de acreditar que valho alguma coisa, aliás, valho muito, mereço ser feliz e sou capaz de alcançar os meus objectivos. Quero calar aquela voz que me diz sempre o oposto, que me relembra os fracassos e que parece ser incapaz de me congratular. Quero libertar-me da prisão que criei para mim mesma...
sábado, 18 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Das lágrimas
Não sei o que aconteceu...
Abraçaste-me e cantei-te aquela canção cujas palavras significam tanto para mim, para nós, e com os teus braços a meu redor senti-me tão segura, como se houvesse um escudo que me protegesse de todo o mal.
Apeteceu-me chorar e chorei como uma criança, as lágrimas quentes e salgadas escorreram pela minha face, silenciosamente, molhando a tua t-shirt. Olhaste confuso, preocupado, mas a verdade é que fez-me sentir tão bem, como se as lágrimas tivessem conseguido de alguma forma lavar a minha alma.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Do outro lado do espelho
Eles falavam, eu ouvia.
Discretamente, mexia-me na cadeira, apertava a caneta com mais força, contorcia os dedos dos pés, como se de alguma forma aliviasse um pouco o desconforto que estava a sentir. Não era sobre mim que falavam, mas podia perfeitamente ser. Como se eu estivesse do outro do espelho, vi-me naquele relato, naquela história, naquele sofrimento. E era como se falassem de mim, ignorando a minha presença.
Tentei disfarçar como me estava sentir, com receio que alguém pudesse ver em mim o mal-estar que aquelas palavras me estavam a causar.
Até que ela olhou para mim e o seu olhar trespassou-me por completo. Como se ela lesse o meu pensamento. Eu penso que ela sabe ou é a minha secreta esperança que alguém ouça o meu pedido mudo...por ajuda.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Por muito que se esteja à espera, na realidade nunca estamos preparados
Para a desilusão.
Ainda que estivesse a antever o rumo que estava a ser tomado, a desilusão apanhou-me desprevenida e caiu-me em cima.
Corrói-me e recorda-me que não sou importante.
Não te lembraste de mim!
Quero abandonar este sentimento que me provoca mágoa e que me faz sentir insignificante, mas hoje a desilusão mora em mim.
A necessidade de escrever
Lembro-me como se fosse hoje do meu primeiro diário. Não tinha folhas cor-de-rosa, verde e azul, não eram perfumadas, nem tinha um pequeno cadeado que facilmente era arrombado. Era um caderno A5 de capa dura, cujo fundo era cor-de-rosa salpicado por dezenas de flores coloridas. Eu tinha 11 anos e foi um presente.
Comecei a escrever nele, descrevia todo o meu dia-a-dia, "pois então não é para isso que serve um diário", pensava eu. Escrevia sobre a escola, os colegas, pais e até sobre o professor de Educação Física que eu considerava "um princípe".
Um dia, cheguei a casa e levei um estalo. A minha mãe tinha aberto o meu diário e havia decidido lê-lo. Castigou-me por uma coisa que eu fiz e havia descrito no diário.
Afinal, o meu querido diário já não era assim tão querido, pois os pensamentos, sentimentos e segredos de uma menina de 11 anos estavam ali expostos, a nu, sem autorização.
A partir daí, quebrou-se a relação de confiança com o diário, ele nunca mais seria seguro.
Com 14 anos, decidi reconquistar o diário, todas as minhas amigas tinham um e também eu tinha o desejo de escrever sobre as minhas descobertas e aventuras, tão características do início da adolescência. Foi uma tentativa em vão, escrevia muitas vezes às escondidas, para de seguida guardá-lo num esconderijo e vivia com medo que alguém voltasse a violá-lo. Acabava invariavelmente por destrui-lo, mesmo antes de chegar ao fim. Rasgava as suas páginas e a paranóia era de tal ordem que, muitas vezes, queimava as páginas rasgadas em pedacinhos.
Apesar de tudo, confesso que, por vezes, arrependia-me do que escrevia. Provavelmente por ter sido sempre uma pessoa com as emoções à flor da pele, quando alguém me magoava, eu escrevia sobre toda a mágoa que sentia mas, quando mais tarde fazia as pazes, não aguentava ler o que havia escrito. Era como se, quando me magoavam, essa pessoa se tornasse totalmente má e mais tarde, ao fazer as pazes, voltasse a ser totalmente boa. Ambas as facetas não podiam coexistir.* Os especialistas diriam que este traço da minha personalidade faz de mim uma borderline?! Mas na realidade, eu sabia que não era assim, sabia que as pessoas eram como moedas com duas faces, por vezes boas e por vezes menos boas, vulgo más. Na inocência de uma criança, a vida seria mais simples se as pessoas pudessem ser distinguidas em apenas duas categorias...
Desisti dos diários, mas a verdade é que a necessidade de escrever continuou a perseguir-me, como se eu pudesse encontrar nela uma espécie de catarse.
A necessidade de escrever sobre tudo...
E sobre nada...
Desisti dos diários, mas a verdade é que a necessidade de escrever continuou a perseguir-me, como se eu pudesse encontrar nela uma espécie de catarse.
A necessidade de escrever sobre tudo...
E sobre nada...
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A criança que fui chora na estrada
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Porquê um blog?
Porque não confio na versão original do diário...
Porque tenho uma necessidade urgente de dizer o que sinto e o que penso...
Porque não quero contar a niguém...
Porque sinto que me perdi...
Porque quero voltar a ser quem sou...
Mas diferente de tudo o que sempre fui.
Porque tenho uma necessidade urgente de dizer o que sinto e o que penso...
Porque não quero contar a niguém...
Porque sinto que me perdi...
Porque quero voltar a ser quem sou...
Mas diferente de tudo o que sempre fui.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
The beginning
Quando nos perdemos em bosques sombrios como estes, por vezes levamos algum tempo a perceber que nos perdemos. Ficamos convencidos de que nos desviámos apenas alguns passos da nossa rota e que a qualquer momento voltaremos a encontrar o caminho certo. Depois, a noite cai dia após dia e continuamos sem fazer ideia do sítio onde estamos. É nessa altura que admitimos ter-nos desviado tanto do caminho que já não sabemos onde nasce o Sol.
Elizabeth Gilbert
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