Eles falavam, eu ouvia.
Discretamente, mexia-me na cadeira, apertava a caneta com mais força, contorcia os dedos dos pés, como se de alguma forma aliviasse um pouco o desconforto que estava a sentir. Não era sobre mim que falavam, mas podia perfeitamente ser. Como se eu estivesse do outro do espelho, vi-me naquele relato, naquela história, naquele sofrimento. E era como se falassem de mim, ignorando a minha presença.
Tentei disfarçar como me estava sentir, com receio que alguém pudesse ver em mim o mal-estar que aquelas palavras me estavam a causar.
Até que ela olhou para mim e o seu olhar trespassou-me por completo. Como se ela lesse o meu pensamento. Eu penso que ela sabe ou é a minha secreta esperança que alguém ouça o meu pedido mudo...por ajuda.
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