Ela entra na casa. Ouve vozes, ele já lá está acompanhado pelos outros. São mais uns estranhos que passam por ali, invadem sem pudores a sua casa, ou melhor, aquela que já foi emocionalmente a sua casa. Hoje, não passa de um espaço vazio, nu, sem calor, sem risadas, sem felicidade, sem qualquer alusão a quem lá viveu. Está vazia… completamente desprovida de tudo. Uma porta partida e uns pregos na parede são a única prova de que alguém lá viveu. Os outros conversam, falam de preços… vão ficar com ela. Ela olha para ele. Ele parece contente e sobretudo aliviado, há uma dívida no banco e isto já se arrasta há mais de um ano. Parece que finalmente vai resolver-se. Embora esta decisão já tenha sido tomada há muito tempo, há alguma tristeza nos olhos dela agora que a decisão tomou um carácter definitivo. Quebra-se assim um laço, o último laço que os unia. É o derradeiro adeus. E aquele espaço que presenciou a felicidade, a tristeza, o choro e o riso, e que se tornou na casa deles, vai ser palco de outras vidas, outras emoções… vai-se tornar na casa de outros.
Ela sai e olha para trás. Olha para a casa uma última vez, como em jeito de despedida, e vai-se embora.
Gostei muito do que li. Parabéns! Vou passar cá mais vezes :)
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